História do CEDEP

HISTÓRIA DO CEDEP

O CEDEP é uma organização não governamental, idealizada pelo Padre Vilson Groh, criada a 16 de dezembro de 1987, com o propósito de atender quatro eixos: Educação, Evangelização, Cooperativa de Consumo e Assessoria a Associação de Moradores.

No final da década de 1980 e início da década de 1990, Florianópolis como Capital de Estado recebia levas de famílias migrantes, expulsas do campo pela política desenvolvimentista e de incremento da agroindústria dos grandes latifúndios. Estas famílias

passam a ser acolhidas provisoriamente na cidade, em paróquias ou em casas de parentes ou pessoas solidárias e são orientadas pelo CAPROM (Centro de Apoio e Promoção do Migrante – entidade atualmente desativada) através da constituição de grupos de famílias, a discutir, planejar e realizar ocupações organizadas em terras públicas ou privadas na cidade. São chamadas de ocupações organizadas, exatamente porque têm um planejamento coletivo anterior à ocupação e porque a terra a ser ocupada é urbanisticamente concebida com lotes, ruas, espaços públicos e comunitários.

Um momento particular, em que as mãos da luta, entrelaçam essas organizações não governamentais a histórias de vida de grupos e de pessoas que sonham juntas com um mundo mais justo, mais digno e mais humano. Um momento de solidariedade coletiva que na luta tece movimentos para a obtenção de luz, água, saneamento básico, posse legal da terra, serviços públicos, a comunidades organizadas nos morros e de ocupação nas periferias, destituídas desses direitos de cidadania.

No intenso momento de mobilização e organização popular nasce a idéia do Projeto Oficinas do Saber como um sonho-sonhado pelas comunidades de ocupação, cujos pais e mães percebiam as dificuldades que seus filhos e suas filhas encontravam para se adaptarem às escolas públicas, e que de certa maneira, representava os novos desafios que enfrentavam para se adaptar à cidade, provenientes que eram na sua maioria dos campos e vales da região do Planalto Central do Estado de Santa Catarina. Pais e mães que também se reocupavam com os momentos em que sua prole permanecia desassistida, enquanto deviam percorrer a cidade em busca de trabalho para organizarem suas vidas, reconstruírem suas provisórias e precárias casas, e alimentarem suas esperanças numa vida nova.

A partir de debates com as comissões de moradores das comunidades então formadas – Novo Horizonte, Nova Esperança, Santa Terezinha, Ilha Continente e Chico Mendes – foi colocada em evidência a necessidade de ocupar pedagogicamente as crianças no período oposto ao das atividades escolares, originando-se assim o Projeto Oficinas do Saber.

Em 1991 inicia as suas atividades em espaços precários e provisórios, com poucos mobiliários, mas rico e esperançoso em motivações, em experiências didático-pedagógicas com as crianças, descobrindo um mundo desconhecido de possibilidades dentro dos pressupostos filosóficos de Paulo Freire, sob cujos pilares, inicia a sustentação de sua política-pedagógica.

Durante o seu percurso como Projeto Educativo vai acompanhando a melhora das habitações das comunidades de ocupação, onde atua, e passa a alojar-se nas Casas e/ou Espaços Comunitários construídos e conquistados com a organização das comunidades em Associações de Moradores. Durante 14 anos, atua de forma descentralizada, todas sediadas na parte Continental de Florianópolis, e tendo em comum, o fato de terem sido comunidades de ocupação organizada.

A precariedade dessas instalações, no entanto, bem como a dificuldade de administrar um número tão pulverizado de estabelecimentos, criou o desejo de se conseguir uma única unidade, de maior porte e com melhores condições de atendimento. A concessão de um terreno no bairro Monte Cristo, de propriedade do governo estadual, bem como a construção de um prédio de 1.100m², foi produto de um árduo trabalho, que envolveu em caráter voluntário, empresários, técnicos, além da comunidade local e pessoas físicas em atividades diversas de planejamento, administração e capacitação de recursos.

Em 06 de agosto de 2005 foi inaugurado o atual prédio do CEDEP, podendo oferecer atendimento mais qualificado e adequado aos familiares das crianças e adolescentes, e aos membros das comunidades onde se insere, além de em parceria com outros grupos e projetos, poder estabelecer perspectivas de formação e capacitação para jovens e adultos destas comunidades de baixa renda.

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Em 2005 a sede foi inaugurada. Atualmente tem institucionalizado três projetos:

A partir de 2006, o PROJETO OFICINAS DO SABER passa a atuar em sede própria, CEDEP, aumentando a sua capacidade de atendimento para 300 crianças e adolescentes, tendo a possibilidade de manter a permanência destas em um percurso educativo com continuidade e maior qualificação pedagógica, ante a possibilidade de desenvolvimento de atividades múltiplas (de grupo, informacionais, artísticas, culturais e esportivas), com a perspectiva de se constituir numa das fases de complementação educacional, atendendo às

crianças e adolescentes no período oposto à atividade escolar, no sentido de desenvolver a

“educação integral”.

Com a criação do IVG (Instituto Padre Vilson Groh) em 2011, se tornou membro integrando ao trabalho em rede.

Em 2013 o CEDEP estendeu o atendimento aos adolescentes e jovens em situação de extrema vulnerabilidade – visto nas comunidades do Monte Cristo uma grande demanda de

adolescentes e jovens fora da escola. Em outubro iniciou o PROJETO FÊNIX atuando dentro das comunidades – é um processo inverso – são os educadores de territórios que vão ao encontro, com a finalidade de resgatar os adolescentes e jovens de 12 a 17 anos que se encontra em situação de risco e posteriormente dar suporte a suas famílias.

No ano de 2015, o CEDEP lança um novo desafio institucionalizando o Projeto AVANÇAR, com o intuito de encaminhar os adolescentes para o mercado de trabalho e contribuir na elaboração de seu projeto de vida. Neste mesmo ano consolida o PROJETO DAS MULHERES EMPREENDEDORAS, com a proposta de produção de artesanatos, visando a

comercialização como fonte de geração de renda.

Em 2017, com o término da construção do ginásio, surge o PROJETO MOVIMENTAR, abrindo a quadra nos fins de semana e no período noturno para o uso da comunidade em geral, acreditando na prática do esporte como uma ferramenta de transformação.

Em 2018 foi construída uma pista de skate e iniciou-se uma ampliação do segundo piso e uma reforma de toda a estrutura física da instituição, viabilizada a partir do apoio da Fundação Itaú Social. 

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